J.B.ROMANI

Eu colho as pedras do caminho como se fossem uvas e bebo a poeira como se fosse vinho.

Textos

EU I MARIETA NA GRUTA




Chamei Marieta nu matu
eu quiria mostrá prá ela,
uma coisa qui eu tenhu,
qui é du tamanhu da canela.
 
A principiu ela ficô
meiu qui ressabiada,
mais eu falei: quandu tu vê
vai ficá maraviada.
 
Finarmente ela veio
i nóis entramu nu matu,
u qui eu vô ti mostrá,
tá cumigu aqui nu sacu.
 
Nu matu tem uma gruta,
um lugá qui é bem iscuru,
falei prá ela: Óia só!
agora eu saiu du apuru.
 
I peguei du sacu a lanterna,
qui u meu véiu pai mi deu,
apertei nu botãozinhu
i a lanterna si acendeu.
 
Então falei prá Marieta:
viu num é u qui eu ti dissi?
Ela mi oiô normamente,
pariceu inté meiu tristi.
 
Essi oiá de Marieta,
tamém mi dexô discontente,
falei prá ela, pruque ocê
num gostô du meu presente?
 
Ela mi dissi: Eu pensei
qui  u  qui ocê ia mi mostrá,
era uma coisa mió,
i qui ocê ia mi dá.
 
Agora eu vi qui Marieta
é bem caipira di fatu,
qui mais eu ia mostrá prá ela
na gruta dentru du matu?
 


J B ROMANI
Enviado por J B ROMANI em 28/06/2010
Alterado em 29/06/2010
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